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Sabe o que vem aí

EDPCOOLJAZZ, Noite 1: Recital de Cordas!

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 Começou a 14ª edição do EDPCOOLJAZZ nos Jardins Marquês de Pombal, em Oeiras. Logo na primeira noite fica um concerto para memória futura, as cordas dos mexicanos Rodrigo y Gabriela ecoaram em harmonia perfeita num belíssimo cenário natural transformando este serão de dia 18 de julho em algo muito parecido com uma noite de verão perfeita.

 

Para se perceber melhor o brilhantismo do resultado final, vamos partilhar com o estimado leitor as explicações dadas em inglês por Rodrigo ao longo da noite. Sem querer dramatizar lá explicou que esta foi um tour muito peculiar. Além dos concertos, estiveram a gravar aquele que será o próximo álbum de originais, antes de virem para a Europa, Gabriela teve um acidente e partiu o pé esquerdo, o que a obrigou a tocar sempre sentada e imóvel. Junte-se ainda alguns problemas técnicos com o som de palco, que obrigou o concerto a ter uma pequena pausa para acertos. A resposta de Rodrigo e Gabriela a todas estas contrariedades vem na ponta dos dedos a uma velocidade vertiginosa.

 

 

O concerto é uma viagem alucinante pelos temas do glorioso disco editado há uma década, e que serviu de mote para esta digressão, misturados com outros novos ainda não editados e algumas surpresas que marcam toda a diferença.

Quem conhece o universo discográfico do duo, sabe que gostam de fazer covers de clássicos que podem ir do jazz ao rock. Por muito preparado que esteja, o público não consegue resistir a uma versão endiabrada de "Take 5", obra maior de Dave Brubeck, escrita por Paulo Desmond em 1959. Enquanto Rodrigo percorre todas as variantes de "Take 5", Gabriela dá o ritmo nas cordas e no batuque usando a própria viola. O som que sai do palco chega a ser tão intenso que temos de olhar várias vezes para confirmar que não está lã mais ninguém na percussão ou mais um músico com viola. São só mesmo os dois a levar a música a roubar sorrisos a toda a plateia.

 

Claro que canções como "Tamacun" ou "Diablo Rojo", sabem sempre bem serem ouvidas ao vivo mas a versão de "Killing in the Name" dos Rage Against The Machine é um tratado. Antes de a atacarem, Gabriela perguntou se o público queria cantar. A adesão foi bonita.

Antes, Gabriela, que se expressou sempre em castelhano, tinha manifestado o seu espanto por o público estar tão quieto e sentado nas cadeiras. Desafiou-os a saltarem, dançarem e até tirarem a roupa. Mas a loucura só se instalou na plateia na última música, com toda a gente de pé a bater palmas e entregue aos ritmos sul americanos daquelas cordas que parecem mágicas nos dedos destes mexicanos.

Foi o último concerto da digressão europeia, terminou em beleza para os artistas e marcou o começo em grande estilo do EDPCOOLJAZZ.

 

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As primeiras músicas que se ouviram na edição deste ano do festival pertenceram a Márcia que não teve dificuldades em agradar o público num curto e bem conseguido concerto.Quando se tem músicas como "A Insatisfação" ou "Tempo de Aventuras" para apresentar, é difícil não contagiar uma plateia. Abertura de noite perfeita para Márcia.