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Sabe o que vem aí

Super Bock Super Rock, Dia 2: Slow J e o Triunfo da Língua Franca

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 Depois de no dia 1, o local mais concorrido ter sido o espaço maior do MEO Arena, por força da presença dos Red Hot Chili Peppers, o festival Super Bock Super Rock democratizou a afluência de público pelos vários palcos.

Nem será exagerado dizer que o Palco EDP foi o ponto preferido do público nesta sexta feira, 14 de julho. Assistiu-se a um triunfo da força da música cantada em português que teve eco à altura no outro lado do recinto no Palco LG by SBSR.FM.

O arranque do Palco EDP, ao lado do Pavilhão de Portugal, foi surpreendente e atípico. À partida Pusha T seria um nome para atrair uma pequena legião de fãs no domínio do Hip Hop no final da noite e até em espaços maiores. Mas a aparição às 17h deveu-se a apertos de agenda do vocalista que anunciou o seu concerto no instagram no... Oceanário! Foi menos de uma hora em palco que soube a pouco e pede um regresso mais contextualizado.

A partir dali foi sempre em crescendo. Do Canadá, Toronto, veio a encantadora Jessie Reyez. Quem conhecia o disco "Kiddo", editado este ano, já sabia ao que vinha, quem não sabia quem era Jessie teve uma bela surpresa com a entrega e atitude exibida em palco. Um concerto marcante.

Ainda antes das 20h, deu-se o grande momento deste segundo dia de festival. Foi ali, no Palco EDP, que Slow J deu mais um firme passo na sua carreira que se prevê brilhante. Há um ano atuou no palco mais pequeno, este não tinha uma multidão aos seus pés. O disco "The Art of Slowing Down", candidato a melhor do ano, está completamente assimilado por uma base de fãs cada vez maior e mais significativa. Depois, Slow J sabe tudo na arte de estar num palco e no seu universo entre o rap e o hip hop. Slow J assinou um dos concertos mais relevantes do festival e não vai ficar por aqui.

Pelos caminhos do hip hop em português continuamos. Fez-se história com a subida ao palco do projeto transatlântico Língua Franca. Oportunidade rara de ver juntos em palco Capicua, do Porto, Valete, da Amadora, Emicida e Rael, de São Paulo, Brasil. Claro que os artistas portugueses estavam em casa e tiveram mais facilidade em agarrar o momento quando puxaram dos seus próprios clássicos mas o concerto valeu pela entrega de todos por um disco que marca as edições deste ano e que o público mostrou aprovar com carinho. Celebrou-se a língua portuguesa com propósito.

Pelo meio ficou um concerto cheio de classe e elegância assinado por Akua Naru, veio de Colónia, na Alemanha, para dar uma aula de bom gosto musical partindo do ambiente hip hop para os ambientes do jazz. Perfeito para aquele anoitecer natural à beira rio.

 

 (Fotogaleria Dia 2 SBSR)

 

No Palco LG by SBSR.FM, os ecos da música portuguesa mantiveram a ligação aos momentos maiores vividos do outro lado do festival, como já dissemos. NBC, um vocalista já bem conhecido, trouxe sons familiares ao público que se senta nas escadarias do MEO Arena de frente para o palco, os Octa Push puxaram pela dança e agitaram o espaço, ficando para Keso o momento de revelação da noite, mostrando a vitalidade que hip hop nacional vive. Em estado de graça.

 

Para o Palco Super Bock ficou a proposta de três momentos variados para públicos diferentes. Na senda da aposta na música nacional, foi com naturalidade que os The Gift subiram ao palco maior do festival para mostrar o seu novo disco. A banda de Sónia Tavares deu prioridade às canções de "Altar" e fez tudo para agradar a uma plateia mais reduzida do que seria de esperar.

Mais tarde, os London Grammar vieram para assinar o concerto mais inspirado da noite. O trio inglês faz parte daquele vulcão que brotou novos nomes ao mundo, falamos do disco de estreia dos Disclosure que revelou Sam Smith, AlunaGeorge entre outros. Os Disclosure que brilharam neste mesmo espaço numa edição anterior do SBSR.O tema "Help Me Lose my Mind" foi o elo de ligação entre os dois nomes, hoje os London Grammar valem ouro em palco conseguindo mostrar o excelente trabalho de estúdio revelado em dois discos, o último editado há pouco tempo. Assinaram um belo concerto que lhes deve abrir as portas para um regresso em nome próprio ao nosso país.

Para terminar, Future a fechar o Palco Super Bock. Muitos dos que ali se deslocaram foram movidos por canções como "Selfish", "Low Life" ou, principalmente, "Mask Off". Foi esta que encerrou um concerto nada óbvio nem previsível de Future. O formato é peculiar, só o vocalista em palco, não há músicos nem instrumentos à vista, e apenas se faz acompanhar por dançarinos que ajudam a dar ambiente a um ritmo alto e nada fácil de acompanhar. Future é mesmo assim, leva o rap e o hip hop para uma cenário mais futurista. Não atrai uma multidão mas satisfaz os interessados, curiosos e seguidores.

 

Como é tradicional neste festival, a festa continuou no Palco Carlsberg pela noite fora com três propostas fortes para não dar descanso a ninguém, Rocky Marsiano e Meu Kamba Sound, Beatbombers e CelesteMariposa.

Hoje temos o último dia do SBSR 2017.