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Sabe o que vem aí

Super Bock Super Rock, Dia 3: Rock e Rave em Triunfo Nostálgico

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 O cartaz do terceiro dia do Super Bock Super Rock apelava ao coração dos mais nostálgicos com saudades do bom rock dos Deftones ao vivo e do ambiente de festa em formato eufórico de dança que Fatboy Slim sabe empregar pelos palcos onde passa. Isto em termos de palco maior, porque nos outros espaços convocavam-se os fãs mais atentos da nova música nacional no Palco LG by SBSR.FM, enquando no Palco EDP esperavam-se momentos mais suaves com o português adocicado do Brasil e as propostas mais alternativas de nomes vindos de fora do nosso contexto.

 

Começamos pelo palco da pala, como também conhecido o Palco EDP. A proposta musical e instrumental comandada por Bruno Pernadas abriu da melhor maneira o dia. Banda sonora perfeita para começar o fim de tarde à beira rio. Seguiu-se o brasileiro Silva que com a sua banda surpreendeu quem pouco conhecia da sua obra e agradou aos que já se tinham cruzado com o músico, tanto pelos discos como por anteriores passagens por cá. Optou por desfilar as canções dos seus discos anteriores em vez de dar prioridade ao seu mais recente trabalho mais centrado no universo musical de Marisa Monte. Sai de Lisboa ainda com mais admiradores.

Mais tarde apresentou-se outro velho conhecido do público português, Seu Jorge. Veio com a sua postura simples, humilde mas arrojada para um evento destes. Sozinho com o seu violão, fez um serão de conversa e músicas do mundo de David Bowie adaptadas à língua portuguesa. Não foi fácil de seguir porque a calma em palco contrastava com o ruído da multidão que esperava algo mais mexido, por certo.

Por falar em velhos conhecidos, Tom Barman, o eterno líder dos dEUS, regressou a Portugal para mostrar o seu novo projeto, os TaxiWars que souberam aproveitar a curiosidade de muitos festivaleiros para apresentarem o seu registo rock a viajar por caminhos jazzisticos. Funcionou bem.

Outra boa surpresa neste espaço foi o concerto do irlandês James Vincent McMorrow que encantou com a sua folk polvilhada de r&b que muito agradou a quem não conhecia a sua música.

 

No último dia do Palco LG by SBSR.FM, os Stone Dead foram os reis e senhores da festa rock n'roll. O quarteto de Alcobaça arrasou logo na abertura do cartaz, chamando a si muitos curiosos que depressa se entregaram à energia do seu rock.

Já muito mais batidos e conhecidos nestas andanças, os Black Bombaim e os Sensible Soccers aproveitaram para cimentar a sua posição no topo da tabela de qualidade do rock feito em Portugal. Mais dois excelentes concertos que servem sempre para angariar mais seguidores ainda distraídos para estas nobres causas.

 

(Fotogaleria do Dia 3 do SBSR)

 

Depois da épica noite dos Red Hot Chili Peppers e da incógnita que ficou com a passagem de Future pelo MEO Arena, importava saber como ia o público reagir a três propostas tão diferentes na noite de encerramento do festival no Palco Super Bock.

Quando os Foster The People apareceram com o hit universal "Pumped Up Kids", já os Deftones tinham uma carreira mais do que feita. Estávamos em 2011 e aquele single revelou a banda da Califórnia ao mundo. Importava saber se sobreviviam ao estrondoso êxito da canção. Responderam com novo disco em 2014 e mantiveram-se no circuito dos concertos. Regressaram agora ao nosso país com um espetáculo equilibrado e seguro conseguindo manter a plateia com um número de espetadores muito interessante.

Já os Deftones não tiveram que se preocupar em chamar festivaleiros para a sua causa porque a maior parte deles estava ali para os saudar depois de mais de meia década de ausência. O resultado foi muito além das melhores expetativas, os Deftones arrancam um concerto bombástico, energético sem dar descanso a ninguém. Foi uma sova de rock musculado que levou ao delírio uma plateia inquieta e decidida a suar até à última gota em moshes eufóricos. Para este sucesso muito contribui o alinhamento escolhido, a banda de Chino Moreno optou por deixar de fora os temas do mais recente disco dando prioridade a um formato de best of compensando o público português pelos sete anos de espera desde o último concerto. 

O que esperar depois de uma sessão do melhor rock pós nu metal no recinto maior do Super Bock Super Rock? A proposta era acabar em ritmo de festa com formato rave party alinhado por Fatboy Slim. O começo foi tímido em termos de plateia. Mas as batidas fortes ecoavam com força fazendo um chamamento que rapidamente transformou o piso do MEO Arena numa gigante pista de dança completamente cheia. Havia muita vontade de dançar, havia ainda mais vontade de celebrar. Tanto no palco como na plateia. O espetáculo visual é forte com três ecrans gigantes a hipnotizarem o olhar, o jogo de luzes é eficaz e o som é sempre muito familiar no meio das batidas house de Norman Cook. Os refrões pilhados a momentos do rock, como Ramones e à própria obra discográfica de Fatboy Slim, funciona perfeitamente ao vivo. Foi um final de festa feliz.

 

Para quem não quisesse terminar o festival por ali ainda teve um extra de luxo no Palco Carlsberg com as propostas dançantes do português Magazino, da inglesa Moki e a eletrónica forte de Marquis Hawkes.

 

O Super Rock Super Bock 2018 já tem datas definidas, de 19 a 21 de julho no mesmo local e com uma presença já garantida, Slow J no palco maior do festival.