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Bluegazine

Sabe o que vem aí

Uma Viagem por Dentro do Festival Eurovisão da Canção

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O Festival Eurovisão da Canção é um universo muito mais profundo e diversificado que os três shows transmitidos pela televisão transparecem.

Gonçalo Reis, Presidente da RTP, contou que quando foi ao Aeroporto receber e agradecer aos irmãos Sobral o histórico triunfo de Kiev, Salvador surpreendeu-o com um pedido de desculpas. Só depois é que Gonçalo Reis percebeu porquê, a vitória de "Amar Pelos Dois" desafiava a RTP para uma tarefa de dimensões gigantescas. 

Agora que já há unanimidade à volta da excelente organização portuguesa, elogiada internacionalmente, é interessante mergulhar um pouco e mostrar ao público menos identificado com este fenómeno, a envergadura deste evento.

 

Para começar, os espetáculos não se ficam apenas pelas duas meias finais e final, as que chegam a casa de milhões de espetadores em três noites. A festa dura muito mais do que isso. A Blueticket vendeu entradas para diferentes eventos que são, no fundo, os ensaios gerais dos desfiles de canções. Sendo que na véspera de cada noite de concurso há um show onde os jurados apreciam as prestações, são os chamados Jury Shows. Portanto, aquilo que vemos em casa é replicado várias vezes na Altice Arena durante uma semana. E sempre com muito público na plateia. 

Assim, dá para perceber que os milhares de fãs vindos um pouco de todo os cantos do mundo ficam em Lisboa uma boa temporada. Aliás, a imprensa internacional que acompanha o evento também vem para ficar uma semana ou mais. 

Por falar em imprensa, é muito curioso verificar que a organização dá muito valor aos espaços online dedicados à competição, há muitos mais bloggers, podcasters e vloggers acreditados do que imprensa tradicional. É o caso do Wiwibloggs que faz uma incrível cobertura de tudo o que se passa à volta do festival. 

 

Olhando para o evento de uma forma distante e desconhecida, a tendência é achar que tudo se passa na Altice Arena. Nada mais errado. O pavilhão é a ilha onde as decisões importantes se tomam mas à sua volta há toda uma aldeia tecnológica cheia de espaços novos e temporários para ajudar na logística e suportar tecnicamente todo o festival. 

Quem tentar chegar perto da Altice Arena vai perceber que há um perímetro vedado ao comum mortal. Para se circular no espaço entre a F.I.L. e a famosa pala Siza Vieira é preciso ter uma acreditação. Tendo o mágico passe, é preciso circular só nas áreas identificadas por números em cada passe. 

A Bluegazine aproveitou o acesso que tem a vários pontos do recinto para convidar os seus leitores a conhecerem a organização do festival além do que a televisão transmite da Altice Arena. 

 Entramos pelo lado da F.I.L.. Há uma tenda enorme só para receber os profissionais. A entrada é feita com o mesmo aparato do controlo de aeroportos, tiramos os objetos todos para uma caixa que vai ao raio-x e passamos num detetor de metais para depois sermos revistados por agentes da PSP. Isto depois de termos passado com o passe da acreditação num torniquete.

Cumprido o protocolo de segurança, avançamos pelo lado da entrada da Sala Tejo. Por cima da Sala Tejo há um espaço para comentadores trabalharem nos seus equipamentos portáteis e receberem os briefings diários. Descemos e entramos na Sala Tejo. Normalmente, quando se entra aqui temos umas portas frontais que dão acesso às bancadas por cima da plateia. Pois bem, estas portas nestes dias dão acesso a uma enorme área que junta todos os elementos de cada delegação a concurso, com zona de restauração e camarins para todos. Tudo construído numa plataforma por cima das bancadas. Aí cruzamo-nos com os artistas de cada sessão. O ambiente é incrivelmente divertido.

Voltamos ao exterior para uma caminhada que nos leva ao lado das bandeiras paralelas à Altice Arena. Aí notamos que o parque de estacionamento para automóveis dos escritórios está ocupado com um aparatoso conjunto de geradores, bastidores e antenas. Os restaurantes com vista para o pavilhão e para o lago do Oceanário estão ocupados por profissionais ligadas a várias áreas. Depois há várias tendas que chamam a atenção pelo tamanho e pela concorrência. Todas equipadas com ar condicionado, Wi-Fi, e confortáveis. São espaços só para estúdios de rádios e gabinetes para entrevistas, descanso de fãs e staff com sofás, televisões e zonas de comida e uma tenda mais imponente que é o espaço para as conferências de imprensa. 

A imprensa tem um espaço próprio (retratado na fotografia que ilustra a crónica) no piso zero do Pavilhão de Portugal que acolhe cerca de 750 profissionais. É lá que se vivem as grandes emoções das pontuações, dos apuramentos e eliminações. Centenas de jornalistas que fazem questão de exibir as cores e bandeiras dos seus países dando um ambiente muito festivo a um centro de trabalho impressionante.

Na outra ponta do Pavilhão de Portugal há uma tenda por baixo da pala Siza Veira que controla a entrada de convidados e os VIP's são encaminhados para o piso superior do Pavilhão onde podem desfrutar de uma zona especial com vista para o lago do Oceanário.

 

Como se percebe é uma aldeia a funcionar dentro do Parque das Nações dedicada ao Festival Eurovisão da Canção. 

Durante os shows, todo aquele entusiasmo que se vê na televisão junto ao palco ou pelas bancadas fora, é genuíno. Os fãs do Eurofestival são completamente dedicados a cada minuto de cada canção, fazem questão de se vestir da maneira mais exótico sem nenhuma preocupação sobre pensamentos de terceiros. No auge das atuações até é possível encontrar caras bem conhecidas de outras paragens, como por exemplo, o croata Krovinovic desiludido com o falhanço da canção do seu país ou o ator norte americano Will Ferrel, visivelmente divertido. 

O Festival Eurovisão da Canção é uma experiência única a nível profissional e um evento surpreendente a nível artístico e tecnológico.

Lisboa nunca esquecerá estes dias de All Aboard.